Em dezembro de 1861, em Massachusetts, com o pai ausente servindo como capelão na guerra, as meninas passam o primeiro Natal sem o pai, o qual representa o início da trajetória de amadurecimento das quatro irmãs, que ao lado da mãe (Marmee) enfrentam alegrias, dificuldades, perdas e aprendizados, enquanto descobrem como lidar com os obstáculos que surgem no caminho de seus sonhos.
A narrativa evidencia a força feminina em uma sociedade marcada pelo machismo. Alcott apresenta as quatro irmãs: Meg é delicada e vaidosa; Jo, impetuosa, independente e aspirante a escritora; Beth, doce, pacífica, musical e de saúde delicada; Amy, mimada no início, mas em processo de amadurecimento.
Essas personalidades distintas acabam por interferir em seus sonhos, aspirações para o futuro e formas diferentes de lidar com a vida, tornando a convivência familiar mais rica, revelando, ao longo da história, diversas formas de crescer, sonhar e enfrentar as limitações impostas às mulheres da época.
Com a ajuda da matriarca, a qual procura orientar as filhas com ensinamentos sobre valores familiares, solidariedade e responsabilidade, as meninas tentam encontrar o seu lugar em um mundo que passa por mudanças. Meg e Jo precisam trabalhar fora para ajudar na economia da família, enquanto Beth auxilia a única empregada da casa (Hannah), e Amy lida com seus problemas na escola.
Entre brincadeiras no sótão, conversas, piqueniques e primeiras paixões, as meninas crescem e vivem intensamente a juventude. Elas também se divertem com Laurie, vizinho e amigo de infância da família, especialmente próximo de Jo, que gosta de escrever e encenar histórias para todos.
“Mulherzinhas” é um clássico da literatura mundial que permite ao leitor ter um breve panorama de uma família vivendo no século XIX, onde as escritoras e pensadoras feministas, muitas vezes, precisavam aparecer de forma discreta ou disfarçada, pois poderiam comprometer a publicação e a recepção da obra. Ainda assim, ao longo da leitura, percebe-se que Alcott defende certa independência para as mulheres, sobretudo no aspecto emocional, já que a estrutura patriarcal do período limitava fortemente a autonomia feminina.
No final de Mulherzinhas (ou Adoráveis Mulheres), Jo realiza seu sonho de publicar um livro e decide manter a protagonista solteira no final, celebrando sua própria independência e dirigindo a escola que herdou da Tia March; Amy viaja para a Europa, desenvolve seu talento nas artes e acaba se casando com Laurie, o vizinho rico, jovem e grande amigo das meninas, antes apaixonado por Jo; Meg abraça a vida familiar, casando-se com o professor John Brooke e tendo filhos; Beth, a irmã mais musical e frágil, tragicamente morre jovem vítima de uma doença debilitante.
Sobre a autora:
Louisa May Alcott foi abolicionista e feminista.
Ela é mais conhecida por Mulherzinhas (1868), um relato semiautobiográfico de
sua infância com suas irmãs em Concord, Massachusetts. Alcott, ao contrário de
Jo, nunca se casou: "... porque me apaixonei por tantas moças bonitas e
nunca, nem por um instante, por nenhum homem." Ela foi defensora do
sufrágio feminino e a primeira mulher a se registrar para votar em Concord,
Massachusetts.
Mulherzinhas — Edição Comentada
Autora: Louisa May Alcott
Selo: Clássicos Zahar
Tradutor: Bruno Gambarotto
Preço: R$ 99,90
Edição: Texto integral, centenas de
notas, apresentação e cronologia de vida e obra de Alcott, além de cerca de 130
ilustrações consagradas de Frank T. Merrill.
Tags: Mulherzinhas, filhas, moças, GuerraCivil Americana, século XIX, força feminina, machismo, livro.
