Cachinhos Dourados e os Três Ursos — Robert Southey

 

O conto clássico Cachinhos Dourados e os Três Ursos foi registrado pela primeira vez em 1837 pelo autor e poeta inglês Robert Southey. Originalmente, a invasão da casa dos ursos era feita por uma velha senhora e a personagem da menina de Cachinhos Dourados só foi adicionada em versões posteriores da história.

O conto clássico infantil Cachinhos Dourados e os Três Ursos, também conhecido como, Cachinhos Dourados ou ainda, Cachinhos de Ouro foi primeiramente registrado em forma de narrativa pelo historiador, escritor e poeta britânico Robert Southey.

Publicado pela primeira vez em um volume de seus escritos em 1837, cuja protagonista não era “uma menina de cachinhos dourados”, mas sim “uma velha senhora sem educação e atrevida” que invadiu a casa de três ursos — Um pequeno, um médio e um grande.

Esta história infantil transmitida de geração em geração com novas versões segue encantando adultos e crianças, em diferentes partes do mundo.  As novas adaptações deixaram o conto mais apropriado para o público infantil, assim, a senhora idosa deu lugar a uma menina, inicialmente chamada de "Silver-hair", ou "cabelos prateados". O nome "Cachinhos Dourados" passou a ser mais conhecido apenas no início do século XX, quando o desfecho da narrativa também se tornou mais leve e adequado às crianças.

Cachinhos Dourados e os Três Ursos é uma obra perfeita para famílias que querem ensinar às crianças histórias sobre responsabilidade, limites, obediência, respeito à privacidade e ao espaço, como também as consequências de mexer nas coisas dos outros sem permissão. O conto também funciona como uma ferramenta pedagógica para introduzir conceitos lógicos e sociais.

Vale acrescentar que a moral de Cachinhos Dourados passou por uma transformação radical ao longo de quase dois séculos. Ela deixou de ser uma punição violenta contra a vulgaridade social e se transformou em uma lição sobre amadurecimento e limites infantis.

Década de 1830:

O crime social e o castigo Severo nas primeiras versões registradas de Eleanor Mure em 1831 e a de Robert Southey em 1837, nas quais a invasora não era uma menina, mas uma velha senhora arrogante, descrita como suja e sem educação.

A moral era um alerta contra a falta de decoro, a vadiagem e o desrespeito à propriedade. O final original: Os ursos (que eram três solteirões e não uma família) tentavam queimá-la em uma fogueira, afogá-la e, por fim, a espetavam na torre de uma igreja. Era uma punição brutal baseada no medo.

Metade do Século XIX:

Por volta de 1850, os autores perceberam que as crianças se identificariam mais se o invasor fosse outra criança. A personagem passou a se chamar "Cabelo de Prata" até se tornar a Cachinhos Dourados. Os ursos também se transformaram em uma família (Papai, Mamãe e Filho).

A moral: O foco mudou para a obediência doméstica. O livro servia para alertar as crianças vitorianas sobre os perigos de fugir de casa, desobedecer às mães e se perder na floresta.

Século XX:

Nesta fase, a história perdeu a sua carga de terror e ganhou contornos psicológicos. O ato de experimentar as coisas dos ursos passou a ser visto por psicólogos e educadores como uma metáfora do crescimento.

A moral: A jornada da menina representa a busca da criança pela sua identidade e pelo seu próprio espaço no mundo.

Século XXI:

As releituras contemporâneas transformaram completamente a perspectiva da história, focando na empatia, na reparação do dano (com a menina consertando a cadeira ou pedindo desculpas.


Oportuno lembrar que a versão da história de Cachinhos Dourados e os Três Ursos embora pareça uma história simples, ela serve como uma ferramenta educativa frequentemente compartilhada em plataformas educativas infantis destacando lições cruciais como: Respeito à Privacidade e Propriedade Alheia; Empatia e Impacto das Ações; Curiosidade sem Limites é Perigosa; Obediência aos Pais; Família e Justiça sem Violência.

O conto também permite trabalhar conceitos matemáticos, como tamanhos e proporções, representados pelo Papai Urso, grande; pela Mamãe Ursa, média; e pelo Bebê Urso, pequeno.

Outro ponto interessante é A Teoria dos Cachinhos Dourados ou Princípio de Cachinhos Dourados que está relacionada à ideia de que existe um ponto ideal ou equilibrado, que não é nem de menos nem demais. O termo tem origem no conto pois Cachinhos Dourados ao provar os três pratos de mingau, escolhe justamente aquele que estava na medida certa: nem muito quente, nem muito frio.

O conceito é usado em áreas como: Psicologia do desenvolvimento, biologia, astronomia, economia e engenharia para indicar a busca por um equilíbrio ideal, situado entre dois extremos inadequados.

Pode-se dizer que este conto diverte, encanta e ensina. Bora acompanhar as travessuras de Cachinhos Dourados nesta releitura direcionada para todas as crianças, inclusive para a criança que ainda vive dentro de cada um de nós.

 Cachinhos Dourados e os Três Ursos 

Era uma vez uma menina chamada Cachinhos Dourados, que gostava muito de brincar na floresta. Certo dia, ao passear pela floresta acaba se distanciando muito de sua casa e acaba encontrando uma cabana que pertencia a três ursos: o Papai Urso, a Mamãe Ursa e o Bebê Urso, cuja família  todas as manhãs saía  para passear enquanto o mingau esfriava.

Cachinhos Dourados era uma menina muito curiosa e ao perceber que a porta estava aberta decidiu entrar sem ser convidada. Dentro da casa, havia três tigelas de mingau sobre a mesa.

Como estava com fome, ela testa as três tigelas. O mingau do Papai Urso está muito quente, o da Mamãe Ursa está muito frio, e o do Ursinho está perfeito — então ela come tudo.

Não satisfeita ela testa as cadeiras da sala; a do Papai Urso é grande, a da Mamãe Ursa é alta, e a do Bebê Urso parecia perfeita para Cachinhos Dourados, entretanto quebra com o peso dela.

Cansada, Cachinhos Dourados subiu as escadas para tentar descansar. No quarto, encontrou três camas: uma grande, uma média e uma pequena. Primeiro, deitou-se na cama grande, mas ela era alta demais. Depois, experimentou a cama média, mas achou muito dura. Por fim, deitou-se na cama pequena que era aconchegante e adormeceu profundamente.

Enquanto isso, os donos da casa voltaram e ao verem a casa bagunçada, perceberam que alguém havia entrado ali. O Ursinho chora ao ver seu mingau comido, sua cadeira quebrada e a menina dormindo em sua cama.

Ao acordar, Cachinhos Dourados viu os três ursos à sua frente, leva um susto enorme, pula a janela e foge correndo assustada pela floresta, aprendendo a lição sobre respeitar os limites e a propriedade alheia e seguir os conselhos da mamãe para nunca se afastar da trilha ao passear pela floresta.

Versão animada tradicional do conto infantil de Cachinhos Dourados✨ 

clique na figura ↓


Cachinhos Dourados e os Três ursos

Autor original: Robert Southey

Ano publicação: 1837

Origem do conto: Tradição oral da Inglaterra

Adaptações Brasileiras: Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Lorena Cutlak, Maurício de Souza, entre outros.


Tags: Cachinhos Dourados, ursos, Silver-hair, cabelos prateados, floresta, cabana, cadeira, tigelas, mingau.

 

Leia também:

• #Goldilocks A Hashtag Coutinary Tale