Para sobreviver, Brissen faz um pacto com entidades místicas, renascendo em outro corpo, em outro mundo — uma floresta europeia na Idade Média — com a condição de entregar seus futuros filhos a essas criaturas. Lá, ela conhece uma curandeira (matemática, astrônoma, médica, poeta, alquimista persa) e, juntas, elas tentam se adaptar a essa nova realidade, ao mesmo tempo em que a Grande Peste e a Inquisição assolam o mundo ao redor delas.
Era uma vez um mundo cheio de criaturas mágicas, onde sereias conviviam felizes com centauros e outras criaturas míticas. Um mundo onde a fartura, a paz e o prazer eram regra, sem preocupações reais.
De repente, tudo mudou. Uma tragédia acontece e todas as criaturas marinhas sucumbem a uma doença misteriosa. Resta apenas uma sereia, seu nome é Brissen.
Apesar de já estar enfraquecida, ela tenta sobreviver a todo custo.
Criaturas de outro mundo prometem a ela uma
chance de uma nova vida, em um lugar diferente e com um novo corpo, com a
condição que ela dê em troca seus futuros filhos. Desesperada, Brissen aceita o
pacto.
Em terra firme, agora humana, sucumbe diante da dura realidade: seu corpo, embora diferente, não está adaptado para viver fora d'água.
Kui, uma curandeira, encontra Brissen definhando no meio da floresta. A curandeira a leva para sua casa, cuida de suas feridas e lhe ensina a respirar, andar e se alimentar – tudo precisa ser reaprendido em um corpo de humana. Kui torna-se a protetora, mentora e, com o tempo, amante de Brissen.
A vida parece ter entrado em equilíbrio e uma felicidade toma conta da cabana da curandeira, antes solitária e vazia. Mas, quando uma delas descobre que está grávida, o mundo das duas mulheres vira de ponta-cabeça.
Brissen é tomada pela culpa e medo, pensando no pacto que irá tomar seu filho, e Kui revive um trauma familiar. Sem alternativas, as duas criam uma estratégia para defender sua família.
Kui ensina bruxaria e magia para Brissen, enquanto tenta encontrar uma forma de evitar o confronto com as criaturas. Ao mesmo tempo, precisa lidar com o avanço da Grande Peste e o medo da população do vilarejo local.
Segundo o autor, neste livro não existe o confronto entre o bem e o mal. Os personagens agem e tomam decisões de acordo com as necessidades e com suas naturezas.
Essa não é uma história apenas sobre bruxas e sereias. É uma história cujo foco está nas mudanças, nas adaptações e na culpa gerada pelas escolhas erradas.
Trata-se de uma história cuja leitura não é recomendada para crianças, já que além de abordar cenas de nudez e sexo, fala sobre abandono materno, Grande Peste e morte.
Historicamente, as lendas das sereias evoluíram de criaturas monstruosas da Antiguidade para os símbolos mágicos de beleza, amor e liberdade que conhecemos hoje em dia, cabendo assim, ao leitor, interpretar, julgar e se conectar com a situação a partir das próprias crenças e vivência.
Pode-se dizer que A Sereia da Floresta é um “prato cheio” pra os leitores que gostam das figuras lendárias fascinantes que personificam os mistérios, os perigos e os encantos dos oceanos. As sereias são criaturas mitológicas fascinantes que cruzam a história há milênios, inspirando a criação de mitos, rituais e até um estilo de vida conhecido como "sereismo".
PERSONAGENS
• Brissen
Ela vivia em uma comunidade de sereias e
criaturas místicas. Era feliz e ignorante. De repente, uma doença dizimou toda
vida ao seu redor, inclusive suas irmãs. Sendo a última da sua espécie, Brissen
aceita um pacto com criaturas estranhas para conseguir sobreviver. Para isso,
ela deve ganhar pernas, viver na superfície e em outro mundo. Em troca, deverá
dar seus futuros filhos para as criaturas.
• Kui
Ela nasceu na Pérsia, neta do cientista Cobadim
de Xiraz (Qotb al-Din Shirazi), em 1320. Da mesma forma que seu avô, Kui nasceu
com uma inteligência assombrosa. Tornou-se matemática, astrônoma, médica,
poeta, alquimista secretamente, pois a sociedade persa, na época, não permitia
que mulheres exercessem essas práticas. Quando foi descoberta seu pai fez com
que ela fugisse da Pérsia imediatamente, deixando para trás sua filha
recém-nascida.
Foi rotulada como bruxa por causa da sua eloquência e inteligência, sendo obrigada a viver reclusa na floresta. Lá ela convive com bruxas locais e se interessa pelo oculto e pelas práticas de feitiçaria, tornando-se em uma bruxa real com conhecimento científico. Quando a Grande Peste chega ao vilarejo, ela decide tornar-se curandeira para cuidar e salvar vidas.
Às vésperas de retornar para a Pérsia, Kui encontra Brissen agonizante no meio da floresta, leva ela para sua casa e torna-se sua cuidadora e protetora, ensinando Brissen a reestabelecer suas funções básicas e a se comunicar.
A solidão e o deslocamento as transformam em amigas e amantes, ambas compartilhando conhecimento e vivendo em um ambiente feliz, até o momento em que descobrem, inexplicavelmente, que uma delas está grávida.
• Harpias
São criaturas milenares, estudiosos que viajam
entre mundos e dimensões, fazendo acordos com criaturas ou civilizações em
extinção. Eles resgatam os últimos sobreviventes de cada espécie para coletar
material genético ou tentam dar uma nova chance de sobrevivência, alterando a
forma estrutural para conseguirem se adaptar em um mundo novo. Para isso,
exigem em troca um futuro filho para fazerem experiências.
• Kokalis e sereias
São criaturas que se parecem com baleias
gigantescas, e podem viver milhares de anos. Elas são como santuários vivos
para as sereias. Centenas delas se alimentam de seus fluidos e dormem
protegidas em seu interior.
Apenas algumas sereias podem procriar e elas são fecundadas enquanto dormem dentro dos Kokalis. As sereias maternas cuidam e alimentam as pequenas sereias até ficarem independentes, quando passam a ser cuidadas pelos Kokalis.
SOBRE O AUTOR
Hiro Kawahara quase foi biólogo, mas decidiu se tornar um ilustrador, quadrinista e
professor de desenho. Além de ilustrador e diretor de arte, há mais de 30 anos,
o foco do seu trabalho é ilustração infantil e estilizada, trabalhando para o
mercado publicitário e editorial, e também como diretor de arte e 2D lead
artist para games e animação.
Hiro criou e ilustrou as toalhinhas de bandeja do McDonald's por 27 anos. Em 2015 tornou-se autor de quadrinhos. Produziu “Maravilhoso” (2015), “Parzifal", publicado em 2017, ganhou o prêmio Cátedra Unesco-PUC de Melhor Literatura Juvenil; “Últimos Deuses” (2018), com roteiro de Eric Peleias; “Astolat” (2019); “Parzifal” e “Miwa” (2023); "A Sereia da Floresta", venceu em 2025 o 18th Japan International Manga Awards, um dos maiores prêmios internacionais de quadrinhos, concorrendo com 715 trabalhos de 95 países.
Também é professor de desenho cujos cursos apresentam propostas diferentes, como aumentar a fluidez do desenho, simbolismo para ilustradores ou anatomia de monstros, mas todos direcionados para ilustradores profissionais ou contadores de histórias.
A Sereia da Floresta
Autor: Hiro Kawahara
Editora: JBC Edição:
1ª
Preço: Kindle: R$ 47,90 Capa
Comum: R$ 47,28
Tags: Sereia, floresta, mar, bruxa, fartura, paz, prazer, Grande Peste, Inquisição, fantasia, magia, ciência, Idade Média.
