Problemas familiares, insegurança, traição, ciúmes, competição entre mulheres, frustração
amorosa e a espera fantasiosa por um príncipe, são alguns ingredientes que você encontrará no livro Freud, me tira dessa! da escritora Laura Conrado, que mistura experiência pessoal e diversos casos femininos para contar a tragicômica história da jovem Catarina que na ânsia de encontrar seu lugar no mundo, busca ajuda na terapia e o imprevisível acontece — apaixona-se por seu analista, Luiz.
“…Não sei quanto tempo
fiquei calada. Mas voltei á realidade com a grave voz de Luiz.
- Precisamos encerrar.
E para você pensar: escolher uma paixão platônica é mais uma forma de estar com
alguém sem se envolver.
Eu me senti petrificada. Por um segundo, imaginei que Luiz tivesse descoberto a paixão secreta que sentia por ele. Não entendia a razão de ele falar aquilo. Será que eu estava com um jeito diferente? Fiquei tão sem graça que quis sair dali correndo...”
O sucesso da publicação fez com que Freud não só resolvesse o problema sentimental da jovem mineira de 28 anos, como também, está lhe rendendo bons frutos.
Eu me senti petrificada. Por um segundo, imaginei que Luiz tivesse descoberto a paixão secreta que sentia por ele. Não entendia a razão de ele falar aquilo. Será que eu estava com um jeito diferente? Fiquei tão sem graça que quis sair dali correndo...”
O sucesso da publicação fez com que Freud não só resolvesse o problema sentimental da jovem mineira de 28 anos, como também, está lhe rendendo bons frutos.
Lançado em abril de 2012, Freud, me tira dessa!, com sua primeira edição esgotada em três
meses, fez com que Laura ganhasse o 11º Prêmio Jovem Brasileiro 2012 (PJB), na categoria
Reconhecimento e Destaque na Literatura e, pelo visto, a autora já está
trabalhando em novos projetos, como: escrevendo o primeiro livro da série
adolescente do FMTD, com personagens de 13, 14 anos; produzindo a continuação
da saga da Catarina, voltada aos jovens adultos, com a Cat mais madura e
correndo mais riscos; e num outro grande
projeto da Novo Século Editora “Shakespeare por elas”.
Laura
Conrado nasceu em Belo Horizonte, MG, em 1984 e é jornalista, pós-graduada em
Educação, Criatividade e Tecnologia. Trabalhou em jornais impressos, emissoras
de TV e assessorias de comunicação. Aos 21 anos, publicou seu primeiro livro
infantil “Miguel e Pão dos Anjos” e, em 2012, Laura lançou histórias em forma
de poema, também destinadas às crianças, no livro “Lendo com o Papai e a
Mamãe”. Freud, me tira dessa!, é seu
primeiro romance destinado ao público jovem.
A
escritora revela que a obra, inicialmente, foi destinada ao jovem adulto, entre
18 e 25 anos, mas veja o que diz a autora: “Fiquei impressionada com a quantidade de
meninas entre 12 e 15 anos que entraram em contato comigo e gostaram muito do
livro. Por isso tive a ideia de fazer uma série voltada para esses leitores.
Isso prova que é possível fazer uma literatura de qualidade para o público
jovem e adolescente.”
Em
Freud, me tira dessa!, Laura traz a história de Catarina ou Cat, uma jovem
inteligente, passional, determinada e independente, mas que também traz consigo
a insegurança e a imaturidade própria de todo o jovem.
Aos
23 anos, decide sair da casa dos pais no
interior de Minas para viver sozinha na
capital, Belo Horizonte, onde consegue uma vida profissional relativamente
estável, porém, sua vida amorosa é um completo caos. É nesse contexto
atrapalhado, que Cat aos trancos e
barrancos tenta tocar sua vida e
encontrar a si mesma, em meio a uma instabilidade emocional provocada por seus traumas
de infância, da relação tumultuada com seus familiares e das desilusões
amorosas.
O
fato é que sua vida amorosa foi sempre um caos. Vivia desiludida e frustrada
pelos “fora” que levava dos homens com os quais iniciava um relacionamento, e,
o pior, era que todos se “arranjavam” com o tipo de garota que Cat jamais
imaginaria ser uma concorrente para ela.
Assim,
foi com sua última “investida”, Rubens,
um colega de trabalho, que terminou com ela por que se apaixonou por outra de
que não passava da “mulher mais sem sal” de toda a empresa na qual trabalhavam,
pelo menos na opinião de Cat.
Mas
as más notícias não param por aí, ao visitar sua família, em um feriado, Cat descobre
que sua irmã, Amanda, estava namorando com o seu ex-grande-amor Arthur, um
garoto com o qual ela já havia ficado e tentado namorar quando mais nova, sem
sucesso.
Dá
para imaginar o que acontece entre as duas irmãs, pois não é fácil aceitar o
fato de que uma irmã pode namorar o ex-grande-amor da vida da outra irmã,
coisas que só Freud pode resolver ou pelo menos explicar.
Desiludida,
disposta a rever suas escolhas, descobrir o porquê de seus relacionamentos não
funcionarem e na ânsia de encontrar uma estabilidade emocional, Cat decide buscar ajuda psicoterapeuta e o
inesperado acontece: apaixona-se perdidamente por Luiz, seu terapeuta, alguns
anos mais velho, enfim, seu tipo ideal.
Apaixonada,
Cat quer parecer perfeita aos olhos de Luiz e decide esconder certos fatos que
são bastante relevantes, e, é aos
trancos e barrancos, com muitas risadas, desilusões, mágoas, angústias, confusões e outras
mazelas que a protagonista parte em
busca de autoconhecimento e a aceitação de si mesma.
A
narrativa da obra é um pouco biográfica, envolvendo fatos ocorridos com Laura e
com amigos, mas também tem um pouco de ficção, porém, alguns dos trechos mais
engraçados e das experiências catastróficas amorosas, aconteceram mesmo na vida
da autora, aos quais Laura sabiamente adicionou um novo significado,
transformando-os assim na “matéria-prima” para realizar seu sonho de ser
escritora.
Cat
é uma personagem envolvente, real e humana e ao acompanharmos sua trajetória, é
impossível controlar o riso e muitas vezes as lágrimas. É como se estivéssemos conversando com a
personagem, reconhecendo nela o que muitas vezes fazemos, pois às vezes, mesmo
errando, estamos tentando apenas acertar
e acreditando que nos conhecemos suficientemente, enfrentamos fantasmas que não queremos ver, e
alguns, até mesmo, nem sabíamos da
existência.
Percebe-se
também, que muito embora Cat seja uma personagem marcante, forte, determinada que frequenta academia e
faz terapia, aqui e acolá, deixa transparecer seus traumas da infância, sua
insegurança na vida amorosa e algumas atitudes infantis, como o fato querer
saber tudo da vida do ex, ou perseguir o analista para alimentar sua fantasia.
O
livro é cheio de acontecimentos surpreendentes
e os personagens são bem construídos, fazendo com que identifiquemos
alguns fatos de nossa vida com a da protagonista,
e, portanto, não é de se admirar que na
empresa em que Cat trabalhava encontremos alguns personagens como: a
fofoqueira, a chata, a amiga verdadeira e até o cara “perfeito”, enfim,
personagens para todos os gostos e assim deixar a história mais real e
interessante.
Um
dos pontos altos do livro é não disfarçar a sensação de raiva em algumas
situações. Catarina não se faz de politicamente correta, e embora busque
respostas, culpa é algo que não tem lugar em sua vida, assim, certa vez na
academia ficou pensando que a cama elástica, na qual ela pulava, era a cabeça da colega de trabalho nem tão
simpática, Carmem.
“Rir de situações doloridas é o primeiro sinal de que a cura está acontecendo… Tem que haver um momento de choro, de elaboração de dor, da perda. Rir de si mesmo mostra aceitação da própria história. Não podemos mudar algumas situações, mas podemos vê-las de maneiras diferentes”, diz Laura.
Com
um título tão original e sugestivo é impossível resistir à tentação de ler Fred,
me tira dessa!, onde Laura com uma linguagem direta, diagramação simples, bom humor, perspicácia e sensibilidade, consegue
balancear os momentos vivenciados pela personagem, como os traumas de infância,
relação tumultuada com seus familiares, desilusões amorosas, mágoas, frustrações, dúvidas e conflitos do cotidiano,
bem como, abordar um tema tão delicado e comum como a transferência de sentimentos
infantis, sonhos e desejos de paciente para
o terapeuta, o que inevitavelmente provocou o apelo de Cat a Freud que diante de
uma de suas fotos num livro da biblioteca disse: “Freud, seu danado, você inventou isso, agora você me tira!”, daí o
título do livro.
No
final, Catarina faz as pazes com ela mesma, refaz seus vínculos familiares e
passa a enxergar as pessoas com um novo olhar. Certamente, a divertida e
emocionante trajetória inspirará outras pessoas a rever suas escolhas e, cá
entre nós, quem não gostaria de uma mãozinha de Freud, pai da Psicanálise, para
sair de umas e outras situações que
atravessam nossos caminhos, sem
avisar, e que fazem outros e nós mesmas chorar e rir de nossas desventuras.
“ … Minhas relações estavam
norteadas pelas minhas mágoas. Agora que eu me via um pouco livre delas, sentia
que precisava de novas coisas. Lembrava, que quando era criança, queria viajar
muito pelo mundo. Aquela vontade permanecia e talvez eu devesse tentar algum
projeto…”
Assim, pode-se dizer, que a autora ao narrar a
trajetória de Cat em busca da solução para
suas “angústias” , envolve o leitor a tomar contato com o seu eu,
conduzindo-o a refletir sobre questões
pessoais que muitas vezes estão ali, presentes, mas só são percebidas quando um
decide navegar em busca de respostas para seus “ais”, que, evidentemente, é um processo, lento,
gradual e, portanto, longo, mas que vale a pena ser mergulhado profundamente.
E
como diz Laura Conrado: “Ainda que a vida
me surpreenda com alguma frustração, estarei sempre pronta para tirar um bem do
que aparenta ser ruim”.
Freud, me tira dessa!
Autora: Laura Conrado
Editora: Novo Século
Ano: 2012
Preço: De R$ 20,00 a R$ 29,99
Livros Pra Ler e Reler
Editora: Novo Século
Ano: 2012
Preço: De R$ 20,00 a R$ 29,99
Livros Pra Ler e Reler
Tags:
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desilusão, angústia.