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A Garota que Perseguiu a Lua — Sarah Addison Allen

A Garota que Perseguiu a Lua da autora, best-seller norte-americana, Sarah Addison Allen, é um romance que desperta emoções ao falar das relações humanas, apresentado numa história curta, com um texto poético e um toque de realismo fantástico, cheio de redenção e esperança.

O livro tem seu tema centrado nos personagens Emily e Julia, mulheres diferentes entre si, que aprendem a
achar o seu lugar no mundo, não importando quão deslocadas elas se sintam nele — Para achar o seu caminho, às vezes você precisa perseguir a lua.

Entre histórias de amor, de reencontro, de perdão e de acontecimentos inexplicáveis, o leitor descobre os segredos de Mullaby — uma pequena cidade em Carolina do Norte — cheia de mistérios, luzes noturnas que passeiam piscando nos quintais pela noite, um gigante, pessoas com aptidões incomuns, papéis de parede que mudam de cor de acordo com o seu humor, ladroes de joias e, também, uma vizinha que “cozinha esperança e otimismo” em forma de bolos.

Emily Benedict é uma jovem de 17 anos, que ao perder sua mãe, Dulcie Shelby, vai morar com o avô — um gigante com mais de dois metros de altura — em Carolina do Norte, na cidade Mullaby, com esperança de desvendar alguns dos muitos mistérios que cercam sua vida e a de sua mãe, como por exemplo: Por que Dulcie deixou sua cidade-natal de maneira tão repentina?
E por que ela jurou nunca mais retornar?

Logo ao chegar à casa onde sua mãe cresceu, Emily conhece o avô , Vance Shelby, que até então não conhecia, sente que há algo no ar e que o avô não é como ela esperava , tanto que ele não gostou da responsabilidade de ter que cuidar dela, uma neta que ele não sabia que existia, o que leva a protagonista a perceber que os mistérios de Mullaby não estão lá para serem solucionados: eles são um modo de vida.

Por outro lado, Emily não é bem aceita e não consegue se entrosar com a comunidade e logo descobre que sua mãe teve um passado, que até então desconhecia e que este passado é o causador deste afastamento — uma adolescência que contradiz um estilo de vida. Emily percebe que “esse assunto” é um verdadeiro “tabu” na cidade e se decepciona com os resultados, já que a única coisa que consegue descobrir é que sua mãe Dulcie não era querida em Mullaby e estava envolvida no maior mistério da cidade e, por ter deixado a cidade num mau momento, nunca mais retornou.

Ao invés de conforto, Emily encontra a estranheza solitária do lugar e percebe que agora ela tem que aprender a lidar com os erros de sua mãe e com um garoto um tanto incomum — Win Coffey — que lhe desperta muitos sentimentos e, este por sua vez, sente-se atraído por ela, mesmo sabendo que isso vai contra todas as regras e tradições de sua família, que estranhamente tratam Emily com indelicadeza e o proíbem de falar com ela.
Que crueldade teria feito sua mãe à familia Coffey?

…Você não aprendeu nada com o seu tio? — perguntou Morgan. Sim,aprendi. Aprendi que é preciso coragem para se amar alguém que sua família não aprova… (Win, página 218/219)

Desvendar o passado e tentar redimi-lo é a jornada pessoal de Emily que encontra apoio em sua vizinha Julia Winterson, 34 anos, confeiteira, que cresceu em Mullaby e tinha estudado com sua mãe quando jovem e, ao cruzar com Emily, decide ajudá-la a se adaptar e lidar com tudo o que acontece nessa nova etapa de sua vida.

Julia, por sua vez, ficou dezoito anos fora e com a morte de seu pai volta à cidade para resolver assuntos comerciais. Seu pai era proprietário de um pequeno café, o qual possuia o melhor churrasco do local, sendo inclusive considerado um dos pontos de encontro mais favoritos da excêntrica cidade de Mullaby.

Apesar de ainda estar de luto e trazer dentro de si sentimentos mistos de constrangimento e mágoa de sua adolescência nesta mágica cidade, Júlia trabalha no café cozinhando “esperança e otimismo” em forma de bolos, não só para atender a vontade dos que ali frequentam, como também, tem a esperança de reconquistar o amor que ela acreditava ter perdido para sempre.

… Estou sempre com saudade de casa … Só não sei onde é minha casa. Há uma promessa de felicidade por aí. Eu sei disso. Até sinto às vezes. Mas é como perseguir a lua: bem na hora em que você a tem, ela some no horizonte. Eu fico triste e tento seguir em frente, mas depois … volta na noite seguinte, me dando esperança de pegá-la novamente…  (Julia – página 175)

Ovos, leite, farinha, açúcar… fazer bolos é a única linguagem que Julia encontra para expressar o que há de mais sincero em seu coração. Mas será que isso é o suficiente para trazer de volta ao seu convívio aqueles que ela magoou no passado? Certamente alguns leitores se sensibiizarão com a trajetória intrigante de Julia que apesar das marcas deixadas pela adolescência tenta resolver suas pendências provenientes do relacionamento com Sawyer, numa bela história de reencontro e reconciliação.

… Ela supunha ser algo natural ficar tensa perto dele. Seus colegas de adolescência sempre lembrariam de seu constangimento e de suas mágoas.
    
Essa era uma das grandes injustiças da vida: que você pode seguir adiante, ser realizada e feliz, mas no instante em que vê alguém do colégio, imediatamente se torna a pessoa que era naquela época, não a que é agora. 

Quando estava perto de Sawyer, ela era a antiga Julia - a filha atrapalhada de um homem que não tinha terminado o colégio e fazia churrasco para sobreviver. Sawyer nunca tinha feito nada para que ela se sentisse assim, mas isso inevitavelmente acontecia. Ela podia culpá-lo por muitas coisas, mas não por isso… (página 93)

Poder-se-ia dizer que A Garota que Perseguiu a Lua é uma história agradável onde a autora com um toque poético permeia a mente e os sentidos, enchendo os pensamentos com magia, aromas doces de bolo e carne grelhada, enquanto, lentamente, conduz o leitor a desvendar os segredos e, à medida que o leitor avança , Mullaby e seus habitantes começam a brilhar com a magia do brilho de suas personalidades reveladas através da trajetória dos personagens, o que seria válido dizer que o que as pessoas fizeram ou já passaram em suas vidas parece importar menos do que elas são ou poderão vir a ser.

Pode um bolo macio e cheiroso realmente recuperar um amor perdido?
Existem quartos cujo papel de parede muda de acordo com o seu humor?
Existe mesmo um fantasma luminoso dançando no quintal de Emily?

E, como nem sempre as respostas são as que esperamos, principalmente, nessa pequena cidade de magia e segredos em que “nada é o que parece”, o que significa que o inesperado pode acontecer e, como tal, nos leva a dizer que as “experiências estranhas e maravilhosas” não são para serem explicadas, mas simplesmente apreciadas.

A Garota que Perseguiu a Lua
Autora: Sarah Addison Allen
Editora: Planeta
Edição: 1
Preço: de R$ 22,41 até R$ 34,90

Sobre a autora
Sarah Addison Allen nasceu em Asheville, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Formada em Literatura, é autora de quatro romances, todos best-selles na lista do The New York Times.

Os direitos de O Jardim Encantado, a sua obra de estréia foram cedidos para 15 países e só nos Estados Unidos venderam-se mais de meio milhão de exemplares.

O livro foi distinguido com o prémio SIBA Novel of The Year, atribuído pela Associação de Livreiros Independentes do Sul ao melhor romance de 2008.

Em Portugal, O Jardim Encantado foi igualmente um êxito, com mais de 10 mil livros vendidos.
O Quarto Mágico, seu primeiro livro, foi eleito Romance Feminino do Ano pela revista Romantic Times. No Brasil, o livro "O Jardim Encantado", foi lançado com o título "Encantos no Jardim". 

The Peach keeper, de 2012, é o mais recente livro de Sarah.